quinta-feira, 2 de julho de 2015

Começar pelo princípio...



Bom, é melhor começar pelo princípio de tudo. O que não falta por essa internet fora são artigos sobre ansiedade, mas eu optei por fazer aqui um breve resumo (podem consultar mais informações, por exemplo, aqui http://www.nimh.nih.gov/health/topics/anxiety-disorders/index.shtml)

“A ansiedade ocasional é algo normal que faz parte da vida. Todos nós podemos sentir-nos ansiosos face a um problema no trabalho, antes de um exame, ou antes de tomar uma decisão importante. Perturbações de ansiedade envolvem mais do que uma preocupação ou medo temporário. Para uma pessoa com perturbação de ansiedade, esta não desaparece e piora com o passar do tempo. Estes sentimentos podem interferir com as actividades diárias, tais como o desempenho no trabalho, os estudos ou até as relações pessoais.”

A ansiedade pode dividir-se em vários distúrbios, como a ansiedade generalizada, os ataques de pânico ou a fobia social. O grande problema da ansiedade é que ela não se manifesta apenas ao nível mental (pensamentos negativos, medos e preocupações exacerbados, sensação de que algo de mau pode acontecer sem razão aparente), traduzindo-se também em sintomas físicos que podem prejudicar fortemente as actividades do dia-a-dia e que vão diminuindo a confiança e a auto-estima de quem os sente. Entre eles estão: enjoos, tonturas, falta de ar ou respiração ofegante, dor ou aperto no peito, dor de barriga/urgência em urinar, tremores, palpitações cardíacas (muitas das vezes as pessoas pensam que estão a ter um ataque de coração), irritabilidade ou fadiga fácil, tensão muscular, dificuldade em adormecer/insónias.

A ansiedade basicamente é uma porcaria. Não tem cura, mas tem tratamento. É uma doença ainda pouco falada e que muita gente não percebe. Aliás, diria que só quem tem percebe verdadeiramente o quão penoso é. Depois existem pessoas que compreendem embora não saibam muito bem o que é passar por isto (nem desejo tal sofrimento a alguém), e outras que não compreendem nada de nada. Existem pessoas que acham que os ansiosos são assim porque querem. Não, não queremos, nem gostamos. Pelo menos, por mim falo. É muito fácil dizer “Não penses nisso” ou “Estás a fazer uma tempestade num copo de água” ou “Estás a exagerar, não precisas estar com esse medo todo”, mas o que as pessoas não sabem é que quanto mais tentamos evitar os pensamentos que nos provocam ansiedade, mais estes se tornam recorrentes. Isso faz com que comecemos a pensar “Porquê eu?”, “Porquê a mim?” ou “De onde é que isto veio?” e muitas vezes não encontramos uma resposta clara. Isso faz com que nos culpabilizemos por ser assim, o que faz com que fiquemos tristes. E torna-se um ciclo vicioso em que cada vez vamos “escavando mais o nosso buraco”. Daí muitas vezes haver depressões associadas às perturbações de ansiedade, como foi o meu caso.


Sobre mim, e sobre os processos de tratamento pelos quais passei, é matéria para post’s futuros. Para já a mensagem que quero deixar é: não estão sozinhos. Há muita gente com ansiedade por esse mundo fora (infelizmente). Mas ainda há muita vergonha em assumir que se é ansioso com receio do julgamento dos outros. Se se identificam com o que aqui falei, se reconhecem alguns dos sintomas e se eles persistem à alguns meses, peçam ajuda. A sério, não tenham qualquer tipo de vergonha. À medida que o tempo passa os sintomas vão tornando-se mais persistentes e mais difíceis de serem eliminados. Não percam anos da vossa vida como eu perdi… Há esperança e podem viver em paz com a ansiedade, acreditem =)

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